Eduardo Campos antecipa-se a Dilma e assina lei que direciona os ‘royalties’ para a educação
Josias de Souza
Eduardo Campos, governador de Pernambuco
e presidenciável do PSB, sancionou nesta terça-feira (30) lei estadual
que destina 100% dos royalties do
petróleo para a educação pública. Fez isso num instante em que Dilma
Rousseff amarga decisão do Congresso de mandar ao arquivo medida
provisória que propõe a mesma coisa no âmbito federal.
A lei pernambucana foi aprovada na
Assembléia Legislativa por unanimidade. Votaram a favor os 49 deputados
estaduais. A MP de Dilma, que perderá a validade em 12 de maio, não será
nem apreciada. Os congressistas alegam que não faz sentido deliberar
sobre o destino do dinheiro antes que o STF decida o contencioso da
partilha dos royalties entre os Estados produtores de petróleo e os sem
óleo.
“Não há como disputar, no mundo, se a
gente legar uma subeducação à maioria do povo brasileiro”, disse Eduardo
Campos em discurso. Ouviam-no representantes de entidades estudantis. O
governador fez questão de lamentar a falta de entendimento no Congresso
em torno da medida provisória de Dilma. Na véspera, em viagem ao Mato
Grosso, a presidente dissera que irá insistir no tema, reenviando ao Congresso proposta análoga à primeira.
Perguntou-se a Eduardo por que Pernabuco
antecipa-se ao governo federal. E ele: “A lei federal vai disciplinar a
utilização de recursos para a parte federal, do governo federal; os
Estados e Municípios terão de fazer seus projetos de lei para destinar
os recursos e nós fomos os primeiros a tomar a iniciativa.”
Hoje, os royalties do petróleo rendem a
Pernambuco, cerca de R$ 15 milhões por ano. Se o STF mantiver a partilha
decida pelo Congresso, a receita do Estado saltará para algo como R$
345 milhões. “Vamos blindar esses recursos para que não sejam utilizados
nos gastos ruins de custeio da máquina. Para que não se repita o que
aconteceu no passado com o imposto do cheque, que entrou por um lado e
saiu por outro lado.”

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